Hoje estou triste. Não por causa dos meus erros, porque já me vou habituando, mas porque chego a um ponto em que não consigo viver sem "descarregar" nos outros as minhas angústias. Ela não merece. Sou demasiado permissiva, talvez por conveniência, e depois exigo demais... Sei que sou o exemplo, a imagem espelho, mas esqueço-me constantemente e isso dá cabo de mim. Mata-me... Gostava de ser melhor, muito melhor, tenho noção que me esforço, mas nunca o suficiente. Ninguém me ensinou. Nem eu tive esse exemplo exemplar, apesar da figura permanentemente educativa que é a minha mãe.
Mas o amor é enorme, a luta, aquela sensação que sinto quando imagino, mesmo que ao de leve, a perda... É enorme... É monstruosa.... Mas sou egoísta, tão egoísta, e isso mata-me... Queria ensinar-lhe o caminho certo, mas eu saberei qual é esse caminho? Quantas dúvidas...
Não gosto quando nos despedimos sem um sorriso. Isso mata-me...
Amanhã, não, hoje mesmo, já e agora, vou manter tudo isto ao de cima, porque não quero voltar a esquecer que tu és a pessoa mais importante da minha vida, e que te amo, como nunca nenhum homem vai ter o privilégio de perceber. E por isso o escrevo neste livro, na minha vida, para que fique gravado para sempre na minha, e em muitas outras memórias, e para que os meus amigos (sim, porque aqui só têm palavra os que me amam) possam atirar-me à cara, de frente, bem nos olhos, que estou a falhar. Por favor, sempre que necessário!
Nunca percebi muito bem esse exagero de ter que ser "mãe de sangue", porque tenho montanhas de amor para dar, e sei que tenho, mas será isso? Estará o meu amor materno guardado apenas para o meu sangue? Não, eu não acredito nisso. Amo-te tanto... Porque não consigo exprimir? Será que consigo? Serei demasiado exigente comigo mesma? Alguém, por favor, me ajuda a responder?
Hoje vamos brincar, como brincamos sempre, vamos descansar cedo, vamos dormir agarradas, quentinhas, como sempre... E amanhã, pela manhã, mais cedo do que o costume, vamos acordar com calma, conversar, fazer miminhos uma à outra, saltar da cama com energia, a tempo e horas, correr para o espelho e sorrir enquanto lavamos os dentes, vestimos roupas bonitas, bem esticadas, e saimos. E quando te deixar, vamos sorrir uma para a outra e dizer "porta-te bem, juízo!!"...
E ao dobrar da esquina, vou sorrir, e as lágrimas vão descer aos meus olhos e vou pensar, enquanto canto o meu fado, que sorte tenho em ter-te perto de mim...
2 comentários:
Nâo existe sangue no amor,
Não existe cor, estéreotipo,
Não existe bom ou mau,
Não existe bem ou mal.
Existe o Amor,a capacidade de o alcançar e partilhar.
Tu és extraordinária, e por seres tão sensível..distrais-te.
Mas tu amas..e melhor do que isso..
É ela amar também.
Não saberia dizer melhor do que as sábias palavras, do anónimo, com o qual concordo plenamente. Abraço
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