Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Por aqui, nos dias que correm

Por aqui, nos dias que correm, estamos a atingir o limite. A consciência geral está nos píncaros da indignação e já ninguém tem paciência para o que quer que seja. Os ânimos andam exaltados, todos reagem ao mínimo deslize. É bom. Mas será melhor no dia em que os bons portugueses gritarem: "Estamos fartos de ser comidos!".

Onde está o espírito revolucionário que nos fez lutar pela liberdade? Onde param as forças dos nossos antepassados, o sangue da conquista, a busca da ambição? Será que todos temos algo a esconder e será melhor ficarmos caladinhos? Qual é o medo? Eu entendo. Também o sinto na pele. Cansam-nos os noticiários vazios, de informação inútil e pouco verdadeira. Esgotam-nos as ondas de negativismo e lamentação contínua. Matam-nos os políticos corruptos e pouco prestáveis, nos quais acreditámos um dia e que mais não fazem do que olhar para o próprio umbigo. E lamentamos. Apenas lamentamos. E porquê? Porque nos está no sangue. Porque somos passivos e laxistas. Porque como eu, muita gente neste mísero país, tem que trabalhar muito mais do que as "horas normais de trabalho" para poder ter uma vida que roça, bem por baixo, o nível da dos nossos vizinhos. Não nos sobra muito tempo para "revoluções", para "movimentos úteis". A mim, como a muita gente, irrita ouvir: - "E tu? Fazes alguma coisa para mudar isso?" Eu? Mais? Eu trabalho dignamente, recebo um salário miserável, pago os meus impostos (e sem sombra de dúvida os dos que não pagam), não abro boca para reclamar caso contrário sou despedida, não uso e muito menos abuso dos subsídios da Segurança Social e pago, na íntegra, os custos da paupérrima educação pública da pequena que me foi confiada. Que mais posso fazer? Sair à rua, de bandeira na mão, pintada de amarelo e chamar nomes a todos os que me aparecem e acabar internada num hospício ou atrás das grades?
Sim, é verdade, eu viajo quando posso, quero conhecer o mundo, mas para isso tenho que trabalhar 12 horas por dia em 2 empregos (de trabalho) e apertar muito o cinto. Não há cá luxos! E isto sou eu, porque a vida me vai permitindo e a cabeça também.

Estamos fartos! Já não podemos ver os empresários analfabetos, sentados ao volante dos seus TDI, 4000 Cv, equipados pela AMG, a deixar os meninos na escola, onde miseravelmente usufruem de um escalão A ou, no mínimo B, (sim, estes meninos não pagam o almoço, nem os livrinhos, porque nós subsidiamos!), e que nem o nome sabem escrever.
Estamos fartos dos pretos e dos ciganos (e não, quem me conhece sabe que não sou nem racista nem xenófoba e não quero generalizar!) que vivem à la grande à custa do Rendimento Social de Inserção, e que pagam rendas muito mais do que simbólicas nas habitações sociais, construídas, tijolinho por tijolinho, com o suor de todos nós, e que choram lágrimas de crocodilo porque perderam o "Plasma, o LCD e a até a Playstation dos meninos"!
Estamos fartos de ver os combustíveis a subir, como se fossem uma reacção alérgica imediata à subida do preço do petróleo e a descer ao ritmo da cura de uma depressão profunda.
Estamos fartos deste país miserável, recheado de corruptos e ânimos leves, de casos judiciais que nunca têm fim, do sentimento de impunidade, da fraqueza geral, das conveniências, dos jobs e dos boys!

Faça-se justiça! Tirem os funcionários públicos das secretárias. Eles agradecem! Ponham-nos na rua, a fiscalizar, a vigiar se for necessário. Perseguição? Qual perseguição? Justiça, é o que é! Nós pagamos! Essa factura garanto que não me importo de pagar! Seria uma espécie de investimento no futuro.

Estamos fartos de ser fodidos!

Quarta-feira, Julho 30, 2008

Hoje...

...passados mais de 3 meses, regresso à minha saudosa casa!

Não prometo nada.

Terça-feira, Abril 22, 2008

Só porque hoje é dia da Terra e eu adoro o Google!


Segunda-feira, Abril 14, 2008

"Prefiro que sejam reticências, em vez de um ponto final"

Andei a reler algumas das parvoíces que escrevi aqui nos últimos dois anos e meio e não cheguei a nenhuma conclusão decente. Detesto fazer coisas sem um objectivo concreto e sinceramente acho que é desta, já chega, ou pelo menos chega para já. Podia simplesmente fazê-lo e pronto, mas enfim, sinto que devia dar alguma explicação.

E pronto, faço então uma pausa, por tempo indeterminado. Entretanto vou escrever em carderninhos cá por casa, para mim e para o gato. Agora até estão outra vez na moda os Moleskines...

Se entretanto vos apetecer trocar umas palavrinhas comigo, podem sempre enviar um mail, um sms ou mesmo telefonar. Se me apetecer atendo, se não, tentem mais tarde. ;)

Muitos beijos e até sempre!

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Two shots of happy, one shot of sad...

"De resto, como diz o título da música, a vida é isto mesmo… “TWO SHOTS OF HAPPY, ONE SHOT OF SAD”…, nesta versão também com uma lingua estranha (parece-me alemão) à mistura, tal e qual sinto a comunicação em determinadas alturas...

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Ooooppppsss... Estava a faltar esta!!!!

Camp"i"ão não! Tricamp"i"ão!

Porto, Porto, Porto
És a nossa glória
Mais uma alegria
Mais um novo dia
Mais uma vitória!

Domingo, Abril 06, 2008

Aqui tão perto... (II)

Há muito tempo que tencionava procurar este lugar. Hoje passei grande parte do dia em busca deste pequeno paraíso, que sabia que existia bem perto de mim mas que nunca tinha tido o prazer de conhecer. Valeu a pena fazer alguns Km a pé, no meio do monte na companhia dos grilos e dos passarinhos! É certamente um dos lugares mais bonitos e traquilos que conheci até hoje. Vou voltar sempre que puder! Faz bem à alma...

Aqui tão perto...




Então? Continuas a achar que a máquina fotográfica é um desperdício?

Maestro

Trocar a Madame Butterfly pelo Maestro António Vitorino de Almeida foi, sem dúvida, uma decisão inteligente. O senhor, hoje sem bengala, é um comunicador nato, tem uma capacidade incrível para captar a atenção de um público muito diverso e é de uma simpatia fenomenal. A causa era nobre e essa corre-me nas veias...

Adorei!

Valeu pela música (já está na lista de próximos cd´s a comprar), pela conversa, pela companhia, pelo serão, pelo arroz de lavagante que estava uma delícia, pelo chá e pelos biscoitos de manteiga... Às vezes os amigos estão onde menos se espera... Obrigada.

Sábado, Abril 05, 2008

Hoje...

...faltas-me tu.

Sexta-feira, Abril 04, 2008

E quando a canção morreu, Na frágil onda do ar, Ninguém soube que ela deu, O que ninguém, Estava lá para dar

Só me apetece fumar

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Salgada

As minhas quintas-feiras são sempre de bastante trabalho, não é que não tenha sempre bastante trabalho(...), mas às quintas é diferente. É dia de ter cá gente de fora, de receber pessoas, de reunir e tomar decisões, orientações, etc.

Há pouco esteve cá o advogado da empresa, uma pessoa "sabida", com um ar arrogante e altivo, quase pedante, mas que quando ganha alguma confiança torna-se numa pessoa muito agradável, e apesar dos seus bem feitos 50 anos, tem uma mente jovem e bem disposta (tomara, com o que o tipo ganha...).
Hoje falamos de tudo menos de trabalho. Falamos de gente, de preconceitos, de culturas, de amigos de longa data, de convívio... Foi muito agradável e estava animada até ao momento em que falamos do prazer de comer num bom restaurante, uma boa comida com uma boa companhia... Aí a conversa ficou salgada...



[hoje trabalha-se muito... mas por aqui...]

Lápides

Parque Georges Henri - Bruxelas, 23.08.2006

O parque Georges Henri surgiu com o desmantelamento do antigo cemitério de Etterbeeck. Este cemitério estava legalmente encerrado desde 1966, mas como se encontrava numa "área verde", o espaço foi preservado. Entre 1987 e 1989 deu-se a transformação do local, a cargo dos arquitectos Jean-Noël Capart e Jacques Boulanger-Français. A disposição e a largura dos trajectos foi mantida conforme a original e as lápides das sepulturas foram usadas para pavimentar as passagens...
Pisar aquele chão foi uma sensação estranha. Senti cada uma delas.
Aquele foi um momento de paz, de silêncio e de reflexão.... Enquanto durou... Como sempre.

Ela por ela

Tá decidido. Troco a Madame Butterfly pelo António Vitorino de Almeida. Pedoa-me Puccini, tenho muita pena, mas pelo menos a causa é nobre. E assim não doi tanto...

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Pelo menos os U2 com boas notícias

video

Odeio fazer planos

Terça-feira, Abril 01, 2008

Baú

Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.

Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua!
Dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista, como prometeu.

Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...

É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora, depois que acabou de ler...

[Saudade, por Miguel Falabella]

Hoje...

...a terra cheira a dor, o sal arde-me em todas as minhas lágrimas... Hoje morri mais um bocadinho e amanhã não quero acordar. Estou demasiado cansada para acordar.

E agora o FCP para desopilar...


Pelo que percebi os seis pontos podem ser retirados este ano (o que não fazia grande diferença...) ou no próximo ano, ou seja, o FCP iniciaria a época com 6 pontos negativos...

Parece-me bem! No fim do campeonato, quando o FCP for campeão, o Pinto da Costa vai dizer:

- até com 6 pontos de avanço nós somos campeões!!!!!

Muitas outras coisas...

Talvez seja apenas um efeito secundário dos químicos que ando a tomar.
Talvez seja a minha condição extremamente feminina.
Talvez seja o meu estúpido orgulho.
Talvez seja a minha frágil mas apurada sensibilidade.
Talvez seja uma consequência.
Talvez seja bom.
Talvez seja mau.
Talvez.

Domingo, Março 30, 2008

Caminhar, parar, captar...

"uma flor, uma pequena flor "
29-03-2008

Sábado, Março 29, 2008

Intuição

Acto de intuir;
Percepção rápida;
Conhecimento claro e imediato, sem utilização do raciocíonio;
Predisposição especial para apreender rapidamente determinados conhecimentos;
Pressentimento;


Talvez a minha intuição não seja mais do que o resultado da interpretação da razão... Talvez eu tenha apenas aquilo que mereço.

Sexta-feira, Março 28, 2008

Sinto-me o caracol...

Foto de Pedro N S Costa, no Olhares

Terça-feira, Março 25, 2008

Tal e qual

Retirado daqui

Segunda-feira, Março 24, 2008

Avó Helena

Páscoa é sempre tempo de reencontro com aqueles que por diversas razões (às vezes desculpas (des)confortáveis...) vão escapando à minha atenção.
Ontem fui lá, à minha terra natal, visitar a minha enorme família paterna.

A avó Helena está velhinha, tão velhinha que já quase nem me reconhece, que vive alheia ao mundo que a rodeia, o mesmo mundo que seguia atentamente, quer pelos jornais, quer pela TV, quer pelas conversas com a vizinhança... A avó Helena está seca... O corpo forte e esguio, de ancas largas e parideiras (como as minhas) e pernas magras e rijas está agora contorcido e dobrado, enrolado, resignado...
Impressionou-me a facilidade com que lê sem óculos as letrinhas minúsculas dos livros de orações... Talvez as saiba já de cor de tantas vezes que as repete... Aquele livrinho é agora a vida dela...
Há um ano atrás a avó Helena ainda falava de tudo, caminhava mal, com dificuldade, culpa das sucessivas fracturas nas ancas, mas falava bem, e sobre tudo...

Lembro as correrias no quintal dela, os aventais brancos a corar em cima das ervas, o cheiro do sabão e a água gelada do tanque. Aquele quintal parecia enorme, cheio de recantos e esconderijos. Lá andavam sempre 2 ou 3 cães, os rafeiros como lhes chamava-mos, eu, a minha irmã e os meus primos... Éramos muitos... No fundo tinha uma arrecadação, a Casa Velha, onde se faziam os enchidos e se guardavam as sacholas, as foices e os carrinhos de mão que eram a nossa perdição. As escadas rangiam e os corrimões desfaziam-se em ferrugem. E as moedas... Latas e latas cheias de moedas antigas com um cheiro intenso a metal...
Havia um fumeiro, escuro, preto do fumo, mas com um aroma delicioso a salpicão, presunto, chouriços "de verde" , "de carne" e farinheiras... Hmmmmm!!!

Agora os cheiros já não me atraem, muito pelo contrário. O quintal está vazio e abandonado. O fumeiro está frio por causa das autoridades que querem tudo embalado e esterilizado. Já não há roupa a corar. Os corrimões desapareceram e as moedas também...

Como estará a avó Helena daqui a 1 ano?...

Começo a despedir-me... Será melhor assim...

Quinta-feira, Março 20, 2008

Ideia fixa...


Eu quero uma!!!!

A Primavera veio gelada...

Foto de Ricardo Oliveira, no Olhares

(In)dependência II

Precisamente há um ano atrás estava em pleno processo de libertação de dependência de tabaco. Falhei. Não aguentei muito tempo e voltei a fumar, mais do que antes.
Um ano depois posso dizer que estou "limpa". Não estou mais nervosa do que o normal, nem irritada, nem sem paciência, nem triste e e não tenho tonturas!!! Ganhei um nadinha de peso, mas a culpa é tua (e não do tabaco) que me mostras as melhores iguarias... Agora entendo muito melhor porque tinha mesmo que deixar de fumar. Sinto-me bem!

Quarta-feira, Março 19, 2008

Pai bipolar

Fico muito feliz por te ver consciente, alegre, calmo, independente... Assim, sim, é dia do Pai! Assim todos os dias são dias do Pai!

E o bolo de chocolate estava fantástico, não estava?

Problemas de cotovelo

A minha boa disposição parece incomodar quem me rodeia no trabalho... Hoje é dia de feedback, que é coisinha que detesto. Sou muito directa e frontal, sobretudo com as pessoas com as quais passo a maior parte do meu tempo, tal e qual como espero que o sejam comigo. Ocupo um cargo de responsabilidade e sou exigente com os outros assim como sou comigo mesma. Engano-me. Ninguém me diz o que pensa na cara, guardam-se as observações e atiram-se em indirectas mal amanhadas... A mim parece-me um problema de cotovelo.


[A alegria tem uma vergonha que é só dela e é malcriado proclamá-la. Ou, pelo menos, cria a impressão de dar azar. Parece existir, no contrato existencial, uma obrigação para com a tristeza que não destoe do mau estado do mundo e do sofrimento humano.
Miguel Esteves Cardoso]

Segunda-feira, Março 17, 2008

Hoje é dia... É dia de MEC

Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita do coração, uma peste inexterminável barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.

O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne…

E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia da Nazaré, mesmo com muita paciência e muito má vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.

Quanto mais fácil amar e lembrar alguém – uma mãe, um filho, um grande amor – mais fácil deixar de amá-lo e esquecê-lo.

Raios de sorte, ó lindeza, miséria suprema do amor. Pode esquecer-se quem nos vem à lembrança, aqueles que nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e paciência, aqueles que amámos com paciência, aqueles que amámos sinceramente, que partiram, que nos deixaram, vazios de mãos e cheios de saudades, esses doem-se e depois esquecem-se mais ou menos bem. E quando alguém está sempre presente?

Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.

Como é que se pode esquecer o que só se consegue lembrar? Aí está o sofrimento maior de todos. O luto verdadeiro. Aí está a maior das felicidades.
Fim
Miguel Esteves Cardoso

Sexta-feira, Março 14, 2008

Hmmm..." You are possibly a doctor, and have tattoos"???

Em noites de insónia reinvento a experiência

[ Foto de Ana, Barcelona, 11-02-2008]

Quinta-feira, Março 13, 2008

13 de Março

E já agora, deixem-me assinalar esta data. Hoje já não faz grande sentido, mas há 16 anos foi uma sexta-feira 13 em cheio! De facto a vida dá muitas voltas...

The Cure [A cura, em bom português]

No sábado passado fui ver aqui o jeitoso a Lisboa. O senhor e a sua banda tocaram os temas mais conhecidos e mais uns tantos que nunca ouvi e, apesar de algumas músicas me parecerem um tanto ou quanto distorcidas, fiquei impressionadíssima com o senhor, cujos 48 anos nem se notam! O concerto durou quase 3 horas [isto sem contar o tempo de actuação daquela "coisa" que tocou antes] e o Sir Robert Smith não parecia nada cansado! Dizem que é do baton...

Foi giro recordar as festas de garagem dos meus tempos de [mais] adolescente, do "moche" e dos roços dos "slows"...

De resto, o fim de semana foi bastante agradável, em óptima companhia. Deu para relaxar um bocadinho e para abrir o apetite de conhecer melhor a Capital, que me pareceu uma cidade encantadora, apesar da visita muito breve! Voltarei, promessa de escuteira!

O relato tardio deve-se ao facto de não ter parado um minuto para respirar nos últimos dias, e já agora, deixem-me inspirar fundo, porque a saga vai continuar...

Ah, desculpa M., o nosso café fica para a próxima, tá?

Sexta-feira, Março 07, 2008

(A propósito de lágrimas)

"...De resto, não tem problema algum: as lágrimas, de alegria ou de tristeza, não são para se "segurar", são para deixar "correr". O corpo é uma "máquina" fantástica e tem sempre razão... as lágrimas são "frutos" do coração, logo genuínas (na maior parte das pessoas)...

Quinta-feira, Março 06, 2008

Os mortos

Entrei no velório.

Os mortos lembram-me que estou viva... A vida é tão curta... Os mortos lembram-me os que em breve morrerão... É tudo tão rápido... Hoje não chorei o meu avô como faço com todos os mortos... Hoje nem chorei... Hoje não senti saudade... Hoje nem senti dor...

Levare

Apesar do vazio que sinto, prefiro que me levem um pouco bom, um pouco puro... Aqui a eternidade existe. Do lugar de onde vão levando esses pedaços bons, há muito mais para dar...


"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

[Antoine de Saint-Exupery]

Quarta-feira, Março 05, 2008

Deslizar... devagar...

Não vou atropelar os meus passos. Vou caminhar devagar, sem lugar para tiros no escuro e saltos para o abismo. Quero cozinhar com calma, temperar a rigor, colocar a melhor toalha e servir um bom vinho... Estou farta de fast food e de guardanapos de papel!

Terça-feira, Março 04, 2008

Babada...

Para além de um nota muito boa no teste de Português, a princezinha trouxe também outro presente para mim...

Cá fica um pequeno excerto da sua composição:

A minha madrinha

A minha madrinha tem cabelo castanho, usa óculos e os seus olhos são castanhos muito escuros. É alta, magra e muito bonita.
Ela é muito divertida, alegre, simpática, amiga, compreensiva, aventureira, meiga e carinhosa.
Eu gosto muito dela, porque está sempre pronta a ajudar-me, brinca e estuda comigo.


Com homenagens destas, que mais preciso?

Segunda-feira, Março 03, 2008

Espelho

Escrever não é mais do que a afirmação da solidão, é um estado de alma, é o delírio da mente, é a fascinação... É por isso inconstante na mesma proporção que a inconstância da minha inconsciente consciência... é o espelho das minhas dúvidas...

Domingo, Março 02, 2008

Gaivota de asas paradas, que não sente as madrugadas, e acorda à noite a chorar...

O Tobias está aqui, encostado a mim. Derreto-me a olhar para ele. É apenas um gato, bem sei, um monte de pêlo ambulante, um come e dorme, mas eu adoro-o.


Lembro-me do pavor... que exagero... Recordo tudo, e pergunto: - como pode ser possível?

Queria regressar aquela água furtada, apenas para olhar o buraco no tecto e ver a Lua... sentir o cheiro... baunilha, sem dúvida... e ouvir a Amália...

Choro, e vou chorar sempre... como pode ser possível?

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


[Vasco de Lima Couto]

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

"A cada dia que vivo,

mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”


Carlos Drummond de Andrade

Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...

... Foi então que apareceu a raposa.

- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- AH! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou presa a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- OH! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com aminha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
(...)
[Excerto de "O Pricipezinho", de Antoine Saint-Exupery]

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Breathe in, breath out



Mat Kearney - Breathe In Breathe Out

Breathe in, breathe out
Tell me all of your doubts
Everybody bleeds this way, just the same
Breathe in, breathe out
Move on and break down
If everyone goes away, I will stay
We push and pull
And I fall down sometimes
And I’m not letting go
You hold the other line
Cause there is a light in your eyes, in your eyes

Hold on, hold tight
If I’m out of your sight
And everything keeps moving on, moving on
Hold on, hold tight
Make it through another night
In every day there comes a song with the dawn
We push and pull

And I fall down sometimes
And I’m not letting go
You hold the other line

Cause there is a light in your eyes, in your eyes
There is a light in your eyes, in your eyes

Breathe in and breathe out
Breathe in and breathe out
Breathe in and breathe out
Breathe in and breathe out

Look left, look right
To the moon and the night
Everything under the stars is in your arms

Cause there is a light in your eyes, in your eyes
There is a light in your eyes, in your eyes
There is a light in your eyes, in your eyes

Um enorme defeito...

Nunca peço ajuda... Mostro sinais, baixo a cabeça, fico calada, banalizo... mas nunca peço ajuda. E aqui vejo quem são os meus verdadeiros amigos...

What else?

Há dias em que preciso de me auto-mimar, e como adoro um bom café resolvi investir na Nespresso...

Poderia ter sido um Ferrari, ora!