Aproximam-se tempos de grandes decisões. E eu tenho medo, porque vivo num país onde as pessoas que decidem fazer alguma coisa pela vida de algumas crianças são "actores-encenadores privilegiados do teatro da vida dessas crianças-vítimas" e são acusados de fazer "nascer laços de amor", como se isso fosse um crime repugnante.
Eu vivo num país onde os pais biológicos irresponsáveis e egoístas têm todos os direitos aos olhos da Lei cega e onde os Tribunais estão atapulhados de casos de pais (inc. mães) que não pagam pensões de alimentos aos filhos sem receberem uma ameaça legal.
Bem sei que destes factos ninguém me pode acusar, porque sempre permiti e facultei o contacto, enquanto ele existiu e foi procurado. Mas deixou de existir, há muito tempo. E mesmo assim, nunca deixei que a memória se apagasse, ajudando-a a ultrapassar os traumas do abandono. Mas mesmo assim tenho medo...
E se alguma coisa correr mal eu nunca, mas nunca me perdoarei, mesmo sabendo que apenas estou a tentar restituir-lhe o direito de ter uma família.
Concordo e entendo que os contornos desta história sejam reboscados, e que há várias vítimas a lamentar, mas continuo a achar que a Lei é demasiado dura e fria para qualquer mundo de criança.
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