Muito se tem falado sobre o referendo que vai acontecer por cá no próximo domingo. Os seguidores do Sim atropelam os seguidores do Não (e vice-versa) com argumentos astutos e a maior parte das vezes pouco esclarecedores. Os debates públicos parecem bem ensaiados, com palavras bem escolhidas, tanto por uns como por outros, para convencer as massas. De vez em quando paro um bocado para ouvir e acabo sempre a rir, tal filosófica e até religiosa se torna a discussão. É de facto uma questão complexa, que envolve questões morais e sobretudo legais, que nem todos são capazes de compreender se não perceberem a dinâmica legal.
Apesar de achar que desta vez o assunto está a ser bastante mais mediático e que as campanhas estão a conseguir despertar a atenção para a importância do voto, ainda tenho receio que a abstenção volte a ganhar. Infelizmente este é um país envelhecido, onde a igreja ainda dita leis, e isso preocupa-me. Reina a hipocrisia. Não sou ninguém para condenar quem quer que seja, mas as coisas são realmente como conta a Isabela a propósito de uma sua recente experiência espiritual: A maldição que acabara de ser lançada deveria atingir cerca de dois terços dos presentes, os quais, como qualquer católico romano convicto, que votará "não", no domingo, já abortaram, ou mandaram abortar. Num país maioritariamente católico, os gráficos representativos das estatísticas não deixam margens para dúvidas. Como dizia o outro, basta fazer as contas. Tudo bem, não é minha intenção relevar este facto, só condeno a hipocrisia.
A factos: o aborto faz-se em Portugal. Em boas ou más condições conforme as carteiras. Nenhuma mulher toma a decisão de abortar de ânimo leve. Deixa marcas, físicas ou psicológicas ou ambas, muito por causa das condições e da possível penalização moral e/ou legal. Muita gente ganha muito dinheiro "negro" às custas disso.
Eu voto SIM, porque acredito na vida, sobretudo numa vida de igualdade de direitos e oportunidades. Não sou a favor do aborto, mas sim da despenalização, e esta é que é a verdadeira questão.
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