14 de fevereiro de 2007

Carta para ti no dia de São Valentim

Olá meu amor,

Sabes, este é o primeiro Dia dos Namorados dos últimos 15 anos que não tenho namorado. É certo que nos mais recentes a coisa já me era um pouco indiferente, mas agora, que realmente não tenho namorado é que penso verdadeiramente no assunto. O facto é que não tenho e também não sinto grande necessidade de ter, o que não quer dizer que não gostaria de ter. Gostaria sim, e muito, mas teria que ser a pessoa certa, se é que é possível. Sim, a coisa é relativa, a pessoa certa para mim pode não ser a pessoa "geralmente aceite", mas neste campo estou completamente nas tintas. Quando gosto, gosto, e o que os outros pensam ou deixam de pensar não me interessa, porque já contribuí para esse peditório mais do que o suficiente.
Sou persistente, talvez de mais, talvez ao ponto de sofrer por repetição... Mesmo sabendo que seria completamente impossível voltar a confiar em ti, a minha veia poética e sonhadora faz-me agir ao contrário. É o amor, dizem. É o amor... Mas o amor constrói-se em bases sólidas de confiança, lealdade, sinceridade. Básico. A primeira a falhar desiquilbra todo o processo...
A verdade é que somos peritos em duplicidade. Somos mestres no que toca a esconder os nossos verdadeiros sentimentos... É muito provável que de alguma forma já fomos feridos ou já ferimos alguém, e mesmo assim continuamos a apregoar amor sincero e incapacidade de perdão...

Sinceridade, eis a questão.

O problema? Bem, o problema... Qual problema?...
Falta-nos tempo para amar, falta-nos encontrar objectivos, prioridades, falto-nos a disposição para o esforço, falta-nos coragem para não resistir, falta-nos perceber a solidão, falta-nos saber dar espaço, falta-nos valorizar o respeito, falta-nos saber estabelecer limites.... Falta-nos tanta coisa...
O amor é assim, complicado. Não digas que não. A paixão é intensa e enche-nos, mas é breve...

Without wax ;-)

A.

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