Hoje é o meu último dia de trabalho deste ano. Estou super atarefada mas não queria deixar de falar neste assunto. Hoje, pela manhã, um colega de trabalho veio ter comigo e pediu-me um favor - queria que lhe escrevesse uma carta, dirigida a todos os colegas, para ser distribuída ou lida, mais tarde, no convívio que normalmente fazemos no último dia de trabalho antes do Natal. João (chamemos-lhe assim) é um jovem pai cuja vida deu uma grande volta há alguns meses. O seu filho de 4 anos tem Leucemia. Os dias vão passando entre a luta pela vida, a tentativa de continuar a levar a rotina "normal" e as visitas diárias ao hospital. O filho do João tem um dador compatível e isso é um ponto brutal de esperança... Mesmo assim, o pedido do João foi pelos outros, por todos aqueles que sofrem esta tremenda angústia e que sobrevivem à espera de alguém cuja medula seja compatível. Não hesitei. Vou ajudar em tudo o que for possível para convencer os meus mais de 100 colegas de trabalho a tomar uma atitude altruísta.
Não quero ser mais uma daquelas pessoas que só se lembra (e por vezes não passa disto mesmo) de quem precisa nestas alturas, aliás eu já contribuí para este peditório há algum tempo. Só lamento o facto de ter precisado que um amigo passasse por esta horrível experiência para tomar a decisão de me dirigir ao CEDACE, para fazer uma pequeníssima recolha de sangue, mas que pode ser uma enorme esperança para alguém. Eu não consegui ajudar o meu amigo, mas ele agradeceu o meu acto como se lhe tivesse salvo a vida, e isso fez-me crescer como pessoa. A esperança dele é cada dia menor, o seu corpo definhou incrivelmente e hoje já nem tem forças para andar...
Dizem que o Natal é tempo de esperança, de família, de ajuda, de paz, de amor... Não sei se acredito muito nisto, prefiro ter fé que tudo isto acontece quando nós queremos, e sobretudo quando fazemos algo que faça acontecer.
1 comentário:
De facto, não custa nada.
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