23 de maio de 2006

Grito

Que aperto terrível, qual nó na garganta profundo, que me esgana e me tortura. Queria saltar, correr, viver, morrer e não apenas sobreviver. Não quero passar os meus dias à espera de um dia.
Há remédio para a tristeza? Há cura para a desilusão? Para que cuido eu de mim? Poderei eu ser tão castigada e fustigada? Mereço tal castigo?
Sinto-me enlouquecer.
E tento, juro que tento, luto, mas é mais forte do que eu. E o ciúme consome-me a alma, o ciúme da incerteza, do desconhecido. Juro que queria arrumar tudo isto. Juro.
Os dias distraem-me e vivo nesta bipolaridade, ora sim, ora não, ora quero, ora não quero, ora estou bem, ora estou mal, ora amo, ora amo, ora amo...
Se algum dia sair daqui, deste momento parado no tempo, vou gritar, para todo o mundo ouvir, que não quero amar ninguém, que prefiro a solidão dos meus dias e a agitação das minhas noites, a loucura dos encontros casuais, do desconhecido. Não quero mais.

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