E se de repente alguém nos diz "tens uma doença incurável"?
O pior (ou melhor, não sei bem) é se nem o dizem, apenas nos vão confrontando com pequenos factos que, para uma pessoa inteligente e informada, facilmente levam a concluir o pior.
Entretanto descobrimos forças que não imaginavamos que existiam e começamos numa luta diária, num misto de esperança e remissão. Acreditamos que hoje em dia tudo é possível e encontramos pequenas luzes nos mais infímos pormenores.
Mas há também aqueles dias em que questionamos tudo, lamentamos o que não fizemos e gostaríamos de ter feito e o que fizemos e gostaríamos de não ter feito. E os dias em que achamos que somos apenas mais um número numa cama de hospital, em que a impotência se apodera de nós...
E depois há as histórias de coragem, todas as histórias de quem passa por tudo isto, sem excepção.
E há os amigos, tão importantes, aqueles que outrora nem foram valorizados mas que não nos deixam agora, que nos ouvem a dizer aquilo que julgamos nunca ser capazes de dizer. E admitimos que somos fracos, que estamos f...
E no meio deste abismo, desta profunda aflição, existem aqueles que sorriem, e riem e falam humorísticamente da situação, tal livro aberto...
E é porque não sou uma pessoa corajosa, e porque tenho um medo terrível da vida, e porque fujo dos meus mais aterradores problemas (comparativamente minúsculos), que o admiro como nunca imaginei que pudesse admirar.
Não, eu não estou doente (suponho), nem consigo imaginar tal situação. Ninguém consegue, pois não? Actualmente, a morte já não é olhada como uma parte intrínseca da vida, mas como um acontecimento que se pode adiar indefinidamente e achamos sempre que as coisas apenas acontecem aos outros...
E eu, que não acredito muito no de lá de cima, vou rezar e acreditar que os milagres podem acontecer...
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